
Numa altura em que está tudo relativamente parado no K2, aqui vai uma história curiosa raramente lembrada.
Em 1939, Fritz Wiessner, um alpinista nascido em Dresden chegou juntamente com o Sherpa Pasang Dawa Lama a 200 metros do cume do K2. Já era relativamente tarde mas o céu estava limpo e o cume era já ali, por isso a decisão lógica seria continuar a escalar. No entanto, chegado a este ponto, Dawa recusou-se a continuar pois temia que a noite acordasse os deuses e os demónios da montanha. Pasang mostrou-se inflexível na sua posição. Wiessner ainda pensou em continuar sozinho, mas o facto de nunca ter feito nada semelhante e de o tempo parecer relativamente estável, levou-o a descer para o acampamento mais próximo e resumir a subida no dia seguinte. Durante a descida os “crampons” do sherpa desprenderam-se e caíram montanha a baixo. Nenhum dos dois alpinistas voltou àquele ponto aos 8382m.
A partir daqui uma série de acontecimentos transformaram a expedição numa tragédia em que morreram quatro pessoas, tendo Wiessner sido responsabilizado pelas mortes.
Naquele dia, se Wiessner tivesse continuado, teria sido o primeiro homem a escalar uma montanha de mais de 8000 metros, onze anos antes de Maurice Herzog e Louis Lachenal terem subido o Annapurna. Mais impressionante ainda, Wissner teria escalado a segunda mais alta montanha do mundo sem recorrer a oxigénio artificial, um feito 40 anos à frente do seu tempo.
“What you may be offered in a moment all eternity will never give you back” – Fritz Wiessner